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Quando as Férias Afetam a Saúde dos Filhos

  • psicovivianebilins
  • 2 de jan.
  • 3 min de leitura


As férias escolares são fundamentais para o descanso físico e emocional de crianças e adolescentes. No entanto, quando esse período é marcado por excessos e ausência total de limites, alguns hábitos podem impactar negativamente o desenvolvimento, o sono, o metabolismo e o comportamento dos filhos.


O desafio não está em manter uma rotina rígida, mas em preservar estrutura mínima, previsibilidade e equilíbrio, fatores essenciais para a saúde integral das crianças e adolescentes.


1. Sono desregulado: um erro comum nas férias


Dormir muito tarde e acordar tarde todos os dias altera o ritmo circadiano infantil, sistema responsável por regular o sono, o humor e a liberação hormonal.


Estudos mostram que a irregularidade do sono interfere na produção de melatonina e do hormônio do crescimento (GH), impactando diretamente:

• crescimento físico

• atenção e aprendizagem

• regulação emocional

• comportamento


Manter horários relativamente estáveis, mesmo durante as férias, favorece a adaptação futura e protege o desenvolvimento neurológico.


2. Ausência total de rotina não é liberdade


Um dos equívocos mais frequentes é acreditar que férias não precisam de rotina. Na prática, a falta completa de organização tende a gerar:

• desregulação nos horários das refeições

• maior consumo de alimentos ultraprocessados

• aumento de beliscos ao longo do dia

• pior controle metabólico


Crianças e adolescentes se beneficiam de rotinas flexíveis, não de desorganização total. Estrutura oferece segurança emocional e previsibilidade, elementos centrais para o autocontrole e o bem-estar.


3. Excesso de açúcar e seus impactos metabólicos


Durante as férias, é comum o consumo diário de refrigerantes, doces e sorvetes. Evidências científicas associam o excesso de açúcar na infância a:

• picos glicêmicos frequentes

• resistência à insulina

• maior risco de obesidade infantil

• acúmulo de gordura hepática


Esses efeitos não são apenas imediatos, mas podem repercutir na saúde metabólica a longo prazo.


4. Telas em excesso e prejuízos ao sono e ao movimento


O uso excessivo de telas durante as férias reduz a atividade física e interfere na qualidade do sono. A exposição à luz azul, especialmente à noite, inibe a liberação de melatonina, dificultando o adormecer e fragmentando o sono.


Além disso, o sedentarismo está associado a:

• maior risco de obesidade

• pior condicionamento cardiovascular

• prejuízos à saúde emocional


5. Atividade física não precisa ser formal


Férias não exigem esporte estruturado, mas o corpo precisa de movimento. Brincadeiras ao ar livre, caminhadas, jogos e atividades lúdicas são suficientes para:

• preservar a saúde metabólica

• fortalecer ossos e músculos

• favorecer a regulação emocional

• melhorar a qualidade do sono


Férias são um período de descanso, mas não devem ser sinônimo de descuido. Pequenos ajustes nos horários, na alimentação, no uso de telas e no incentivo ao movimento ajudam a evitar dificuldades físicas, emocionais e comportamentais na volta às aulas.


Cuidar da saúde integral das crianças e adolescentes também faz parte das férias.



Referências

• Mindell, J. A., & Owens, J. A. (2015). A Clinical Guide to Pediatric Sleep: Diagnosis and Management of Sleep Problems. Lippincott Williams & Wilkins.

• Owens, J. A. (2014). Insufficient sleep in adolescents: causes and consequences. Minerva Pediatrica, 66(1), 63–71.

• Patel, S. R., & Hu, F. B. (2008). Short sleep duration and weight gain: a systematic review. Obesity, 16(3), 643–653.

• World Health Organization (WHO). (2019). Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age.

• American Academy of Pediatrics. (2016). Media and young minds. Pediatrics, 138(5).

• Malik, V. S., Pan, A., Willett, W. C., & Hu, F. B. (2013). Sugar-sweetened beverages and weight gain in children and adults. American Journal of Clinical Nutrition, 98(4), 1084–1102.

• Carskadon, M. A. (2011). Sleep in adolescents: the perfect storm. Pediatric Clinics of North America, 58(3), 637–647.



Psicóloga Viviane Bilinski

CRP 07/40470

Psicologia | Parentalidade consciente | Desenvolvimento emocional Neurociência e Neuropsicologia


 
 
 

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